Serra de Baturité fortalece tradição centenária com imersão inédita na cultura do café

Destaque Gastronomia

Nos dias 22 e 23 de abril, a Serra de Baturité voltou a reafirmar seu protagonismo como um dos principais territórios cafeeiros do Nordeste ao sediar uma intensa programação dedicada à valorização da cultura do café. A ação integrou a 8ª edição do Laboratório de Criação da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco, e reuniu cafeicultores, estudantes, pesquisadores, empreendedores e entusiastas em dois dias de aprendizado, troca de experiências e conexão com as raízes produtivas dos produtores local.

Realizado no histórico Convento dos Capuchinhos e no Parque das Trilhas, o encontro foi promovido pela Escola de Gastronomia Social em parceria com EcoarCafé e Sebrae, com apoio do Parque das Trilhas um dos pioneiros no cultivo do café na região, sendo premiado entre os 50 melhores cafés especiais do Brasil e dentro da política pública da Secretaria da Cultura do Ceará, gerida pelo Instituto Dragão do Mar.

Muito além da bebida

Mais do que um produto agrícola, o café representa memória, tradição e desenvolvimento para a Serra de Baturité. A programação celebrou o Dia Nacional do Café com foco em inovação, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia produtiva regional, mostrando que o futuro do setor passa pela união entre conhecimento técnico e saberes ancestrais.

Durante os dois dias de imersão, os participantes vivenciaram experiências teóricas e práticas que percorreram todas as etapas da produção cafeeira: do cultivo ao manejo, do plantio à colheita, do pós-colheita à torra, da análise sensorial ao mercado de cafés especiais.

Grandes nomes e debates estratégicos

Entre os destaques esteve a apresentação da Indicação de Procedência (IP) do Café da Serra de Baturité, debatendo desafios e oportunidades para a valorização territorial da produção local.

A mesa-redonda sobre qualidade do café reuniu especialistas como Eudes Santana e Lidiane Santos, abordando processos produtivos, pós-colheita e torra como fatores decisivos para elevar o padrão da bebida.

Outro momento marcante foi a master class conduzida por Yuki Minami, que destacou a importância do pós-colheita na construção de cafés de excelência, etapa considerada fundamental para aroma, sabor e valor agregado.

Sala de aula viva

No Parque das Trilhas, a visita técnica ganhou um significado ainda mais profundo. Muito além de espaço de aprendizagem, o local é reconhecido como um dos grandes precursores da retomada do cultivo do café na região, desempenhando papel decisivo no renascimento da cafeicultura serrana após o período de declínio vivido ao longo dos anos.

Há mais de duas décadas, o Parque das Trilhas mantém viva a produção cafeeira na serra, investindo em qualidade, preservação ambiental e inovação no campo. Em um território onde tradição e resistência caminham juntas, o parque se consolidou como referência ao mostrar que era possível produzir café de excelência de forma sustentável.

Um dos grandes diferenciais desse trabalho está no sistema de agrofloresta, modelo que integra o cultivo do café à vegetação nativa, respeitando os ciclos da natureza, protegendo o solo, conservando a água e promovendo biodiversidade. A prática une produtividade e equilíbrio ambiental, transformando o café em símbolo de desenvolvimento consciente.

Durante a imersão, os participantes conheceram de perto o território produtivo, os métodos de manejo e as práticas de pós-colheita aplicadas à realidade serrana. A experiência aproximou teoria e prática, revelando que cada xícara produzida ali carrega história, dedicação e o compromisso de manter viva uma tradição centenária com os olhos voltados para o futuro.

Torra, análise sensorial e mercado em pauta

A programação também contou com oficina prática sobre a importância da torra na qualidade da bebida, explorando os processos físico-químicos, demonstrações técnicas e análises sensoriais por meio de cup taste e cupping.

Em outro eixo estratégico, a palestra aplicada sobre organização produtiva e mercado de cafés especiais trouxe reflexões sobre competitividade, associativismo e novas oportunidades econômicas para os produtores locais.

Encerrando a imersão, uma avaliação coletiva dos cafés apresentados pelos produtores consolidou o espírito colaborativo do evento, promovendo escuta técnica, aperfeiçoamento e reconhecimento da produção regional.

Um passo decisivo para o café cearense

A iniciativa reforça que o café produzido na Serra de Baturité carrega potencial para conquistar mercados, gerar renda e fortalecer o turismo de experiência no Ceará. Mais do que celebrar uma tradição, os dois dias em Guaramiranga mostraram que investir no café é investir em território, cultura e futuro.

Enquanto o aroma se espalhava entre montanhas e memórias, também se renovava a certeza: a Serra de Baturité segue sendo um dos berços mais promissores do café brasileiro.

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